
| CANTOS | Estâncias | Versos |
| I | 106 | 848 |
| II | 113 | 904 |
| III | 143 | 1.144 |
| IV | 104 | 832 |
| V | 100 | 800 |
| VI | 99 | 792 |
| VII | 87 | 696 |
| VIII | 99 | 792 |
| IX | 95 | 760 |
| X | 156 | 1.248 |
| 1.102 | 8.816 |



VI por mandado da santa & geral inquisição estes dez cantos dos Lusiadas de Luis de Camões, dos valerosos feitos em armas que os Portugueses fizerão em Asia & Europa, & não achey nelles cousa algũa escandalosa, nem contraria â fe & bõs custumes, somente me pareceo que era necessário advertir os Lectores que o Autor pera encarecer a difficuldade da navegação & entrada dos Portugueses na India, usa de hũa fição dos Deoses dos Gentios. E ainda que sancto Augustinho nas suas Retractações se retracte de ter chamado nos livros que compos de Ordine, as Musas Deosas. Toda via como isto he Poesia & fingimento, & o Autor como poeta, não pretenda mais que ornar o estilo Poetico não tivemos por inconveniente yr esta fabula dos Deoses na obra, conhecendo a por tal. & ficando sempre salva a verdade de nossa sancta fe, que todos os Deoses dos Gẽtios sam Demonios. E por isso me pareceo o livro digno de se imprimir, & o Autor mostra nelle muito engenho & muita erudição nas sciencias humanas. Em fe do qual assiney aqui.
Frey Bertholameu Ferreira


«DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011). Editorial Caminho.
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011). Editorial Caminho.
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