quinta-feira, 30 de abril de 2026

«O POETA NO MIRADOURO DO MUNDO». 2008. Carlos Ascenso André. «O POETA DO OLHAR: Introdução - Poesia e Pintura» [ 3 ]

 

Ensaios. 2008. Leituras Camonianas. Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos.

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Como a pintura é a poesia; coisas há que de perto mais te agradam e outras, se a distância estiveres. Esta quer ser vista na obscuridade e aquela à viva luz, por não recear o olhar penetrante dos seus críticos; esta, só uma vez agradou; aquela, dez vezes vista, sempre agradará. 
Horácio, Arte poética.
 

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«Um poeta como Ariosto defendia que, em boa verdade, o conhecimento dos modelos clássicos por parte do pintor o tornava, necessariamente, dependente dos poetas.»
 
«Para Leonardo da Vinci, a poesia, do ponto de vista da capacidade expressiva, fica muito aquém da pintura. Superlativa Leonardo o papel do olhar na percepção da beleza; os olhos são a janela da alma, e a pintura, a única arte verdadeiramente visível, é, também, a única capaz de imitar a aparência real das coisas. Procuram os poetas, é verdade, rivalizar, neste domínio, com a pintura; os meios de que dispõem são, porém, de inferior qualidade, pois bem menos pode a imaginação do que a vista.»
 

(continua)

«O POETA NO MIRADOURO DO MUNDO». 2008. Carlos Ascenso André. «O POETA DO OLHAR: Introdução - Poesia e Pintura» [ 2 ]

 

Ensaios. 2008. Leituras Camonianas. Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos.


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  «Pintura é Poesia muda e a Poesia é Pintura que fala»
                                     Simónides (sécs. VI-V a.C.)


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«a pintores e a poetas
igualmente se concedeu, desde sempre, a faculdade de tudo ousar.
Bem o sabemos e, por isso, tal liberdade procuramos e reciprocamente a concedemos

                              Horácio, Arte poética.

 

(continua)

«O POETA NO MIRADOURO DO MUNDO». 2008. Carlos Ascenso André. PREFÁCIO [ 1 ]

 

Ensaios. 2008. Leituras Camonianas. Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos.


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«Há os que indagam o modo como o poeta vê o seu tempo e nele se situa. Há, enfim, os que lêem o poeta e os que lêem quem o lê.»

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Nótula:

Nos posts seguintes será abordada a 

 II. Parte - O Poeta do Olhar 

  1. IntroduçãoPoesia e Pintura.

  2.  A dimensão visual da épica camoniana.

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Autor

Carlos Ascenso André 

https://www.uc.pt/fluc/eclassicos/iec/cmbaandre 

https://www.uc.pt/iii/ciec/opoetanomiradourodomundo

https://www.mpu.edu.mo/pt/prof_carlos_ascenso_andre.php

https://bibliografia.bnportugal.gov.pt/bnp/bnp.exe/q?mfn=73727&qf_AU==ANDRE%2C%20CARLOS%2C%201953-


 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

« OS LUSÍADAS », CANTO VII {( 87 estâncias) ; ( 696 versos)}

 

LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]


 Os Lusíadas 


Canto VII - Sandra Hung
 19 dez. 2024

Play - Os Lusíadas

33m

Artes e Cultura

Todos

 Canto VII - Sandra Hung

Narração
Chegada a Calecut
Interrupção do poeta
Aportam em Calecut
Relações com os locais
Descrição da Índia ao pormenor
Falta de inspiração do poeta

...

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 CANTO  VII 


 1. 

JÁ se viam chegados junto à terra

Que desejada já de tantos fora,

Que entre as correntes Índicas se encerra

E o Ganges, que no Céu terreno mora.

Ora sus, gente forte, que na guerra

Quereis levar a palma vencedora:

Já sois chegados, já tendes diante

A terra de riquezas abundante!

 

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«POESIA E PINTURA NA POESIA DE CAMÕES. A relação entre a poesia e a pintura, a eventual dependência de uma em relação à outra ou, se se preferir, a supremacia de uma sobre a outra, as respectivas semelhanças e diferenças, a maior ou menor expressividade de cada uma delas, eis alguns dos termos de um debate que vem de longe e que não parece ter fim à vista.

O poeta grego Simónides (séculos VI-V a. C.) terá sido o primeiro a definir a pintura como «poesia muda» e a poesia como «pintura que fala»expressão que Luís de Camões veio a acolher: «Feitos dos homens que, em retrato breve, / muda poesia ali descreve» (Os Lusíadas, VII.76.7-8); «E, como a seu contrairo natural, / À pintura que fala querem mal» (Os LusíadasVIII.41.7-8).

Sobre o assunto dissertou, também Aristóteles, na sua Poéticamas foi Horácio, já no século I a. C. (quatro séculos depois de Aristóteles), na sua Arte Poética, quem ditou as bases, se assim pode dizer-se, de uma polémica que haveria, ao longo dos séculos, de encher páginas de tratados sobre Poética ou sobre Pintura. É dele a afirmação que haveria de tornar-se, ao mesmo tempo, emblemática e ponto de referência de todas as controvérsias a este respeito: ut pictura poesis («como a pintura, assim é a poesia»).»

                                                                                       (p. 703)

por Carlos Ascenso André

in «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

 


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 87. 

Aqueles sós direi que aventuraram

Por seu Deus, por seu Rei, a amada vida,

Onde, perdendo-a, em fama a dilataram,

Tão bem de suas obras merecida.

Apolo e as Musas, que me acompanharam,

Me dobrarão a fúria concedida,

Enquanto eu tomo alento, descansado,

Por tornar ao trabalho, mais folgado.


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« OS LUSÍADAS », CANTO VI {( 99 estâncias) ; ( 792 versos)}

 

LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]


 Os Lusíadas 

Canto VI - Mónica Calle
 12 dez. 2024

Série inserida nas comemorações dos 500 anos de Luís de Camões que consiste na interpretação dos 10 cantos por 10 atrizes em 10 locais distintos. Numa era pós-colonialista, ouviremos as palavras, durante tantos séculos cristalizadas num só sentido, ditas em relação com a nossa atualidade. A finalidade é confrontar o texto com 500 anos com o tempo presente e perceber que reverberação estas mesmas palavras terão nos dias de hoje, num Portugal 2024. Consoante o conteúdo de cada Canto, uma atriz interpreta-o num local que retrate a nossa sociedade moderna e, de alguma forma, o nosso País.

Play - Os Lusíadas

44m

Artes e Cultura

Todos

Canto VI - Mónica Calle

Narração
Armada sai de Melinde
Concílio dos Deuses Marinhos
Tempestade
Avistam Calecut
Considerações do poeta...






 CANTO  VI 

 1. 

NÃO sabia em que modo festejasse

O Rei Pagão os fortes navegantes,

Pera que as amizades alcançasse

Do Rei Cristão, das gentes tão possantes.

Pesa-lhe que tão longe o apousentasse

Das Europeias terras abundantes

A ventura, que não no fez vizinho

Donde Hércules ao mar abriu o caminho.

 

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 99. 

Destarte se esclarece o entendimento,

Que experiências fazem repousado,

E fica vendo, como de alto assento,

O baxo trato humano embaraçado.

Este, onde tiver força o regimento

Direito e não de afeitos ocupado,

Subirá (como deve) a ilustre mando,

Contra vontade sua, e não rogando.


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« OS LUSÍADAS », CANTO V {( 100 estâncias) ; ( 800 versos)}

 

LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]



https://www.rtp.pt/play/palco/p14060/e813765/os-lusiadas

 Os Lusíadas 

Canto V - Maria João Luís 

05 dez. 2024

Série inserida nas comemorações dos 500 anos de Luís de Camões que consiste na interpretação dos 10 cantos por 10 atrizes em 10 locais distintos. Numa era pós-colonialista, ouviremos as palavras, durante tantos séculos cristalizadas num só sentido, ditas em relação com a nossa atualidade. A finalidade é confrontar o texto com 500 anos com o tempo presente e perceber que reverberação estas mesmas palavras terão nos dias de hoje, num Portugal 2024. Consoante o conteúdo de cada Canto, uma atriz interpreta-o num local que retrate a nossa sociedade moderna e, de alguma forma, o nosso País.

Play - Os Lusíadas
38m

Artes e Cultura

Todos

Canto V - Maria João Luís

Narração - Vasco da Gama continua o seu relato:
Viagem de Lisboa a Melinde
Adamastor
Chegada a Melinde
Fim do relato de Vasco da Gama
Lamento do poeta pela iliteracia dos portugueses

 



 CANTO  V 

 1. 

«ESTAS sentenças tais o velho honrado

Vociferando estava, quando abrimos

As asas ao sereno e sossegado

Vento, e do porto amado nos partimos.

E, como é já no mar costume usado,

A vela desfraldando, o céu ferimos,

Dizendo: – «Boa viagem!»; logo o vento

Nos troncos fez o usado movimento.

 

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 100. 

Porque o amor fraterno e puro gosto

De dar a todo o Lusitano feito

Seu louvor, é somente o pros[s]uposto

Das Tágides gentis, e seu respeito.

Porém não deixe, enfim, de ter disposto

Ninguém a grandes obras sempre o peito:

Que, por esta ou por outra qualquer via,

Não perderá seu preço e sua valia.


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« OS LUSÍADAS », CANTO IV {(104 estâncias) ; (832 versos)}

 

LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]

 

https://www.rtp.pt/play/palco/p14060/e812058/os-lusiadas

Os Lusíadas

Canto IV - Rita Cabaço

 28 nov. 2024

Série inserida nas comemorações dos 500 anos de Luís de Camões que consiste na interpretação dos 10 cantos por 10 atrizes em 10 locais distintos. Numa era pós-colonialista, ouviremos as palavras, durante tantos séculos cristalizadas num só sentido, ditas em relação com a nossa atualidade. A finalidade é confrontar o texto com 500 anos com o tempo presente e perceber que reverberação estas mesmas palavras terão nos dias de hoje, num Portugal 2024. Consoante o conteúdo de cada Canto, uma atriz interpreta-o num local que retrate a nossa sociedade moderna e, de alguma forma, o nosso País.

Play - Os Lusíadas

43m

Artes e Cultura

Todos

Canto IV - Rita Cabaço

Narração - Vasco da Gama continua o seu relato:
2ª Dinastia
D. João
Batalha de Aljubarrota
A expansão Marítima e os preparativos para a viagem à Índia
Velho do Restelo.
 


 
 CANTO  IV 
 

 1. 
«DESPOIS de procelosa tempestade,
Nocturna sombra e sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento;
Aparta o Sol a negra escuridade,
Removendo o temor ao pensamento:
Assi no Reino forte aconteceu
Despois que o Rei Fernando faleceu.


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 104. 
«Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande arquitector co filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte! Estranha condição!»


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ANTÓNIO PEDRO, «apenas uma narrativa» (1942). «DEDICATÓRIA ao senhor Aquilino Ribeiro: *MESTRE*: ...»

  António Pedro :  [Cidade da Praia, Cabo Verde, 09-12-1909 -- Moledo do Minho, Caminha, 17-08-1966].             António Pedro   [Cidade da...