segunda-feira, 13 de abril de 2026

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 15) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. I de XVIII} * [ vol. I ]

 

LUÍS DE CAMÕES -Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO»

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... «Sem base pertinente, se apontou ainda Alenquer como terra natal de Luís de Camões. O único argumento, tão valioso como o facto das duas sílabas finais de Setúbal provarem de sobejo que foi Tubal, neto de Noé, o fundador desta cidade, é falar algumas vezes na curiosa vila. É possível que na comarca tenha passado o degredo. Com simpática lembrança alude nos Lusíadas a
 
    ...Alenquer, por onde soa 
    O tom das frescas águas entre as pedras
    Que murmurando lavam...
 
No seu termo, existia uma quinta, recentemente propriedade da casa de Sabugosa, conhecida com o nome de Quinta de Camões. Mas não admira. Não foi Vasco Perez de Camões alcaide de Alenquer nas lutas e regência de D. Leonor? A identidade do nome, se bem que o patronímico Camões seja mais raro que Almeida, Albuquerque, e tantos do armorial, não tem significação entre nós. Se todos os Castros se prevalecessem de remontar a D. Inês, teríamos os nobiliários atulhados de criados de servir, escravos, e até remeiros das galés. A onomástica, por via de regra, fica neutral. De resto, podia haver, como há hoje, ainda para os nomes mais exclusivos, os ramos pobres, entroncados, e é muito provável em face do desamparo em que o poeta viveu dos seus e, salvo tenuíssimos vestígios, de qualquer apoio útil de fidalgos, que isso se desse com os Vaz de Camões, domiciliados à Mouraria. O facto é que Luís de Camões tem por várias vezes esta vila de Alenquer no pensamento. Outras vezes se refere a ela, como no soneto à morte do companheiro de armas, que foi sepultado no mar de Abássia:
 
    Criou-me Portugal na verde e cara
    Pátria minha, Alenquer, mas ar corrupto
    Que neste meu terreno vaso tinha...
 
Nos trenos da elegia em que se pressente o seu desterro, o panorama convém àquelas distantes e desabridas paragens:
 
    Não vejo senão montes pedregosos;
    E sem graça e sem flor os campos vejo, 
    Que já floridos vira e graciosos,
    Vejo o puro, suave e rico Tejo...
 
Por uma referência aos touros da Merceana, que vem na carta da Índia, se pode inferir que é de quem conhece a terra pelos seus costumes, conseguintemente por contacto directo.» ...

 (continua)

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