Manuel Mendes, “Aquilino Ribeiro: a obra e o homem” (2ª edição), Editora Arcádia (1977)
1928
Toma parte no frustrado movimento do regimento de Pinhel, contra o governo, e é preso em Contenças (Mangualde), juntamente com o Dr. António Mota, seguindo ambos para o presídio militar do Fontelo, em Viseu, donde se evadem, em 15 de Agosto, «dia da Senhora da Lapa», em condições rocambolescas, tendo uma grafonola a tocar, enquanto serravam as grades de ferro, e continuando a tocar, enquanto saltavam os muros da prisão.
Refugia-se novamente em Paris, na continuação do seu segundo exílio, apenas interrompido por esta curta e aventurosa vinda a Portugal.
Manuel Mendes, “Aquilino Ribeiro: a obra e o homem” (2ª edição), Editora Arcádia (1977)
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A FUGA DE AQUILINO RIBEIRO DO PRESÍDIO DE FONTELO, VISEU, EM 15 DE AGOSTO DE 1928
https://silenciosememorias.blogspot.com/2018/01/1696-antonio-jose-pereira-de-oliveira-e.html?m=1
No âmbito da "Revolta do Castelo" de 20 de Julho de 1928 contra a Ditadura Militar, Aquilino Ribeiro participou activamente nas movimentações efectuadas pelo regimento de Pinhel [Luís Farinha, O Reviralho. Revoltas Republicanas contra a Ditadura e o Estado Novo (1926-1940), Editorial Estampa, 1998], tendo sido preso em Contenças, juntamente com o médico António Gomes Mota [natural de Freixinhos, filho de Manuel Gomes Cardia].
Levados para o Presídio Militar de Fontelo, ambos evadiram-se na noite de 15 de Agosto, pelas 21 horas e 15 minutos, após terem serrado o soalho da casa onde se encontravam e passado através de uma abertura de cerca de 0,55m por 0,40m, descido para uma loja com o auxílio de uma escada e, uma vez livres da prisão e da loja, saltaram o muro da vedação que rodeava o edifício.
Esta fuga terá contado com a colaboração activa de António José Pereira de Oliveira, também conhecido por José da Parada, ao arrombar "para tal fim a fechadura duma porta dos baixos da referida prisão" [ANTT, Cadastro 10001A] e, assim, permitir a fuga de Aquilino Ribeiro e António Gomes Mota [ANTT, http://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4280434].
António José Pereira de Oliveira, de 34 anos anos, vivia em Viseu e trabalhava na oficina de sapateiros da casa de reclusão, sendo acusado de ter arrancado a fechadura e corrido, por fora, o ferrolho de ferro da porta da loja por onde saíram os dois presos.
Interrogado como cúmplice na fuga, António José Pereira de Oliveira negou todas as acusações.
[João Esteves]
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