José Maria Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis, 24-05-1898 – Porto, 29-06-1974).
Ferreira de Castro, 1968. “Foi tirada num hotel de Sintra onde vivia uma temporada por ano”. (Eduardo Gageiro)
«Ferreira de Castro, hoje na linha de frente das letras cosmopolitas, publicou na Ilustração um artigo fraterno, amigo e leal, de que recortamos estes períodos:
«O livro (É A GUERRA- Diário) é um depoimento pessoal -- grita o autor -- e é também, podemos dizê-lo, um extraordinário documento. É possível que se Aquilino se encontrasse da outra banda da fronteira só tivesse de mudar o nome das ruas e dos figurantes. O material humano devia ser, mais coisa, menos coisa, muito semelhante, quando os instintos se apossam dele, dando vida nova a sentimentos cavernários. Mas Aquilino é o primeiro a confessá-lo e a prometer o reverso da medalha.
Literariamente, o livro ocupa também lugar singular na bibliografia da guerra. Não é a crónica das trincheiras, fervida já em muitas línguas e esgotada na curiosidade do espectador; é a crónica originalíssima duma das duas cidades europeias onde se manipulavam, com subtis ingredientes, as ideias e obrigações que às trincheiras eram impostas. Paris não encontrou, com certeza, entre os seus, escritor que lhe desse retrato mais nítido, mais objectivo, ora dramático, ora pitoresco, simultâneamente trágico e caricatural do que lhe deu Aquilino. Há por vezes, uma súbita reacção do grande escritor português, que um francês não teria? Há. Mas logo o seu espírito se abre em compreensão, levado pela certeza de que a Humanidade, ali, não pode ser totalmente diferente, em virtudes e defeitos, da que pulula no resto do planeta. Páginas magistrais abundam neste livro, tão nítidas em forma e em verdade que ninguém, sobre o mesmo tema, as escreveria melhores, em qualquer país do mundo»
Lisboa, Primavera de 1955.
[Livraria Bertrand -2ª Edição. (pp.169-170)]
Aquilino Ribeiro, "Abóboras no Telhado" (Polémica e Crítica), 1955.
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«Ferreira de Castro
um blogue para ir estando com o autor de A SELVA e os seus amigos de sempre: Assis Esperança, Jaime Brasil e Roberto Nobre (desde 30 de Abril de 2006)»
Autor: Ricardo António Alves,
Director do "Museu Ferreira de Castro", em Sintra.
Um abraço!
ResponderEliminarCordiais saudações!
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