terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

INTRODUÇÃO... (A OBRA E O HOMEM - Aquilino Ribeiro) de Manuel Mendes.

 

INTRODUÇÃO... (A OBRA E O HOMEM - Aquilino Ribeiro) de Manuel Mendes, Editora Arcádia, 1ª edição - Junho de 1960.



« (...) Impossível é, num breve e sumário estudo, mais de evocação do que de análise e crítica, dar a medida da figura do escritor, e apenas uma sombra da importância e significado da obra, tão vasta na densidade e variedade dos seus livros, ao mesmo tempo complexa pela intenção, admirável de originalidade, rica pelo poder de realização. Diremos do homem, em resumo, que deveras encarna o que a subtileza de Cecília Meireles viu nele -- o que é «tão português como o próprio Portugal» --,  e melhor não se pode definir, decerto, o artista que trouxe a nossa Terra e o nosso Povo para o tablado da ficção romanesca, criando obras imortais, em que no conflito das dores e alegrias, nas imprecações e nos sarcasmos, o Povo representa o primeiro papel, sobre o fundo de um cenário a que desde sempre se afeiçoaram os nossos olhos. Isso bastará para inteiramente o definir, nas justas proporções da sua estatura, na realidade de tão impressionante presença.
O leitor vai ouvi-lo, em algumas páginas de confissão, em trechos em que descreve a sua vida, evoca certas idades, nos fala principalmente de si. Apreciará o seu engenho, saboreará a sua magnífica prosa. Isso basta. Acrescentaremos, para bem o colocar no quadro da nossa época, que a sua arte sabe ao que é eterno, o seu nome de escritor e a sua obra ficarão como imorredoiros padrões da nossa literatura -- «clássico vivo» lhe chamam --, e isto constitui para nós, homens do seu tempo, motivo de bem justificado orgulho, espectáculo de grandeza que nos é dado desfrutar.»
 
             Ajuda, Janeiro de 1960.
 

MANUEL MENDES.jpg

 Manuel Mendes, 1944
(Lisboa, 18 de Janeiro de 1906 -- Lisboa, 7 de Maio de 1969).
 
 

consultorio dr Pulido Valente.jpg

O grupo do consultório do professor Pulido Valente” (1955) (Abel Manta,1888-1982)

(Da esquerda para a direita e de cima para baixo, respectivamente – Vasco Ribeiro dos Santos, Mário de Alenquer, Fernando Lopes Graça, Manuel Mendes, Sebastião Costa, Luís da Câmara Reis, Abel Manta, Aquilino Ribeiro, Ramada Curto, Carlos Olavo, Pulido Valente, Alberto Candeias)

 

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