sexta-feira, 29 de maio de 2026

AQUILINO RIBEIRO faleceu há 63 anos: 27 de Maio de 1963.


  Aquilino Ribeiro: (1885 -- 1963)  

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«A Sociedade Portuguesa de Escritores, sob a presidência de Ferreira de Castro, nomeia uma comissão encarregada de festejar o quinquagésimo aniversário da publicação do seu primeiro livro: 'Jardim das Tormentas'. Aquilino Ribeiro adoece inesperadamente no decorrer destas homenagens. Ao meio-dia e trinta do dia 27 de Maio, no Hospital da CUF, de Lisboa, morre aquele que é justamente considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa de todos os tempos.»

 Urbano Tavares Rodrigues

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https://alcancaquemnaocansa.blogs.sapo.pt/soliloquio-autobiografico-literario-por-19681

SOLILÓQUIO AUTOBIOGRÁFICO LITERÁRIO por Aquilino Ribeiro: (a.12)-IDENTIFICAÇÃO

https://alcancaquemnaocansa1.blogspot.com/2026/02/soliloquio-autobiografico-literario-por_86.html

«Muito divago sobre a missão do escritor. Como tudo neste Mundo é, na minha opinião, desprovido de finalidade e talvez até de senso, não é fácil assinalar um fim ao escritor. Que  realize o mundo de beleza que traz em si, e é já alguma coisa. Quanto ao mais, que seja o que lhe apetecer, desde que não arme em fariseu, e não esteja nunca contra os simples de braço dado com os trafulhas, nem contra os fracos de braço dado com os poderosos. Nada me fará sacrificar aos gostos nem aos caprichos do público. Desejaria que a minha obra passasse as fronteiras, mas não sou impaciente nem sôfrego. Isso acontecerá se eu o merecer. Não é o espírito por natureza irradiante?»

Aquilino Ribeiro, «Solilóquio Autobiográfico Literário»
em "Aquilino Ribeiro: a Obra e o Homem" de Manuel Mendes

 

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"AQUILINO RIBEIRO: a Obra e o Homem". Editora Arcádia; 1ª edição: Junho de 1960; 2ª edição: Março de 1977.

 

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https://arquivos.rtp.pt/conteudos/aquilino-ribeiro-parte-i-3/

Primeira parte do documentário sobre a vida e obra do escritor Aquilino Ribeiro: "O homem político, democrata e amante da liberdade". Inclui imagens de arquivo e depoimentos diversos.


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https://arquivos.rtp.pt/conteudos/aquilino-ribeiro-parte-ii-3/

Segunda parte do documentário sobre a vida e obra do escritor Aquilino Ribeiro: "Letras que dão voz ao povo. O amor pela terra, pelas suas gentes, pela vida". Inclui imagens de arquivo e depoimentos diversos.



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https://arquivos.rtp.pt/conteudos/aquilino-ribeiro-2/

Programa apresentado pelo escritor Luís de Sttau Monteiro dedicado a Aquilino Ribeiro, com entrevistas a Jerónima Machado Ribeiro e a Aquilino Ribeiro Machado, respetivamente viúva e filho do escritor, e também a alguns populares que o conheceram.

  • Nome do Programa: Aquilino Ribeiro
  • Nome da série: O Homem é um Mundo
  • Locais: Lisboa
  • Personalidades: Luís de Sttau Monteiro, Jerónima Machado Ribeiro, Aquilino Ribeiro Machado, Fernando Lopes-Graça
  • Temas: Artes e Cultura, Sociedade
  • Canal: RTP 1
  • Menções de responsabilidade: Autor: Luís Sttau Monteiro. Produtor: Leonel Brito.
  • Tipo de conteúdo: Programa
  • Cor:Cor
  • Som:Mono
  • Relação do aspeto:4:3 PAL

Resumo Analítico 
Retratos pictóricos e fotografias de Aquilino Ribeiro; Sttau Monteiro entrevista José Correia Cunha, empregado do café "A Brasileira", sobre o seu contacto com Aquilino; Jerónima Machado Ribeiro recorda o primeiro encontro e a convivência com o marido alternado com fotografias. Aquilino Ribeiro Machado refere aspetos de Aquilino Ribeiro enquanto pai e a influência que teve na sua vida política e Jerónima Machado Ribeiro refere alguns aspetos quotidianos destacando as visitas do marido à Livraria Bertrand; Sttau Monteiro entrevista Armando Martins da Costa e Adelino Pires, funcionários da Bertrand, sobre as idas do escritor à livraria. Sttau Monteiro entrevista Alda Cardoso, empregada do consultório médico de Pulido Valente, sobre os encontros entre escritores e/ou intelectuais que se realizavam no consultório; jornalista Mário Neves refere aspetos da personalidade de Aquilino e as últimas recordações que detém do escritor; Sttau Monteiro entrevista Fernando Lopes Graça, maestro e compositor, sobre como conheceu Aquilino e recorda projeto de colaboração musical e literária entre ambos.

MÁRIO NEVES, a partir do minuto 23, lê a última "lição" de Aquilino Ribeiro, consubstanciada na seguinte frase:
"Meus queridos camaradas, olhem sempre em frente, olhem para o sol, não tenham medo de errar sendo originais, iconoclastas, anti, o mais anti que puderem, e verdadeiros, fugindo aos velhos caminhos trilhados de pé posto e a todas as conjuras dos velhos do Restelo. Cultivem a inquietação como uma fonte de renovamento."

FERNANDO LOPES-GRAÇA, no final do seu depoimento (iniciado a partir do minuto 24), dá uma breve definição de Aquilino Ribeiro:
"genial escritor, convivente, fraterno, amigo,... lhano"


quarta-feira, 20 de maio de 2026

ANTÓNIO PEDRO, «apenas uma narrativa» (1942). «DEDICATÓRIA ao senhor Aquilino Ribeiro: *MESTRE*: ...»

 António Pedro[Cidade da Praia, Cabo Verde, 09-12-1909 -- Moledo do Minho, Caminha, 17-08-1966].

         António Pedro  

[Cidade da Praia, Cabo Verde, 09-12-1909 - Moledo do Minho, Caminha, 17-08-1966] 


       Poeta, romancista, autor e encenador teatral, crítico de arte, jornalista, editor e também caricaturista, pintor, escultor e ceramista.

  

   http://www.e-cultura.pt/efemeride/1001 

 

António Pedro (1909 - 1966) foi o primeiro a dar o título de «Mestre»

ao Senhor Aquilino Ribeiro!  

 

Dedicatória da sua obra "APENAS UMA NARRATIVA", datada de Novembro de 1941: 

                   

«DEDICATÓRIA                                                   

ao senhor Aquilino Ribeiro»

 

        «Mestre:

        «Toda a gente vai ficar espantada com a dedicatória deste livro e com este invocativo que tomo em gosto tornar público, não com sanha de discípulo que não sou, mas com respeito de homem de ofício que sabe quem no merece. Toda a gente vai ficar espantada e pouco isso me importaria se entre essa toda-a-gente não estivesse, como está por certo, o meu Amigo. Eis a razão por que não honro apenas com o seu nome esta folha e me parece necessário explicar-lhe porque o faço.

        Há ainda quem tenha a mania de distinguir arte moderna e arte antiga e quem nesta distinção se compraza, ou viva desta distinção. Aqui, público e raso, me confesso do pecado de a ter já feito para tornar mais clara certa confusão entre bom e mau. O que há com arte, com artistas e com tudo, cabe apenas nestas duas espécies. O meu Amigo é dos bons e eu faço por merecer-lhe a companhia. O resto são diferenças que dizem respeito à sua educação e à minha, ao seu gosto e ao meu, à sua Beira de desvirgadas, padres, lobos e almocreves e ao meu Minho de cantorias e emigrantes, milho verde, leiras pequenas, pedinchas, sovinas e fantasmas líricos; o resto, e sobretudo, são coisas que dizem respeito àquelas pulgas que cada um tem seu modo de matar; o resto, ainda, perdoe-me dizer-lho, tem com a sua idade e com a minha idade. E se, com tão oposta educação estética, tão diferente gosto, cenário de infância tão díspar, tão discrepante forma de matar pulgas, idade para ser seu filho, quiser saber porque o admiro, deixe-me lembrar-lhe que escreveu o romance da raposa raposeca, senhora de muita treta, e do galo galaroz, perninhas de retroz, que contou como era a terceira classe da arca de Noé e, também, às vezes, se deixa empapar em sonho, como ninguém, em certas páginas da Aventura Maravilhosa e de outros livros – um sonho por vezes revesso nas palavras saborosas que só tolos vêem por fora, como chuvinha bonita em que não sabem molhar-se.

        Não há arte moderna nem antiga. Os artistas é que são modernos e antigos com relação ao momento, e os antigos para o seu momento são sempre maus e sempre errados. O seu momento, Aquilino Ribeiro, ninguém o honrou como V.. Foi a volta à terra depois da especulação, a volta ao gosto infantil depois da pedagogia parva, a volta ao sonho é a epopeia depois da crítica e da caricatura. A Academia com que o insultaram (e em que companhias, Deus do céu!) mais a mereciam certos modernos que conhecemos – soldados uniformizados, como os outros, satisfeitos de abotoarem o mesmo dólman com botõezinhos de outra cor.»

                      Lisboa, Novembro de 1941.»


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[José Augusto-França, «O essencial sobre ANTÓNIO PEDRO]

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António Pedro - Centro de Arte Moderna

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António Pedro, Artista Plástico, Crítico de Arte e Escritor

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MNAC: Aparelho metafísico de meditação 

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terça-feira, 19 de maio de 2026

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 60) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XIII de XVIII} * [ vol. I ]

 XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

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«Luís de Camões comediógrafo e cómico.»

«Pode dizer-se que Luís de Camões compôs as suas três peçazinhas em obediência a um propósito remunerador. Desde que as belas letras derivaram para arte industrial, o teatro foi o género que desde logo começou a render algum lucro a quem o fazia, posto que o autor calcasse o coturno de histrião, o que era de regra. É provável que Luís de Camões nos  Anfitriões tomasse à sua conta o papel de Júpiter e o de Anfitrião, em que se desdobra. No Rei Seleuco devia figurar de apresentante, isto é, de compère


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«Achegas duma profissão precária.»

«Os proventos de autor e representante, embora exíguos, somados aos de versejador de encomenda, um soneto a este galã, um vilancete àquele peralta, uma ode ao fidalgo velho e baboso, tais e tais redondilhas ao palaciano, versos religiosos ao frade e à beata, perfazem a fonte económica a que Luís de Camões iria buscar seus meios de vida. Nada haveria, no entanto, mais eventual e precário, em despeito da boa fama que pudesse correr da sua arte.»
....

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... «A meu ver, Luís de Camões glosava os motes que lhe levavam; escrevia cartas poéticas assim ou assado; dedilhava em soneto ou ode tal ou tal ária de amor; compunha a sua peça de teatro, e porventura que algumas se tenham perdido ou correram debaixo de outro nome; trabalhava, em suma, de modo a satisfazer uma clientela tão escassa como fortuita.

Compreendia-se que versejasse hoje, amanhã, depois, conforme os seus estados de alma, colocando-se na escala dos cantores, apenas pela variação, para lá da cigarra, pois que o fazia quase da mesma maneira altruísta, isto é, deitando ao vento suas notas divinas?!

Só desde que começaram a ter curso as publicações periódicas é que os poetas encontraram forma de dar finalidade àquelas das suas especulações que se não dirigiam à priminha ou à namorada. A partir dessa data, sim, puderam fazer-se admirar e dar-se perdurabilidade, degraus estes do escadós que leva ao templo da Memória, como se dizia na Academia dos Singulares.»

... ...
«Luís de Camões vivia da pena e artes afins.» ...
 
(continua)
 

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 59) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XII de XVIII} * [ vol. I ]

   XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

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(continuação)

«A vida dolorosa do poeta.»
«Supondo que os amigos do poeta eram bastos como tortulhos e poderosos como cônsules, não impediu que duas vezes, pelo menos, catrambiasse no Tronco, e uma vez com certeza fosse parar ao degredo, marcos miliários da interminável via da amargura que foi a sua existência, tanto ou tão pouco espinhosa que a mão de D. Gonçalo Coutinho, movida não se sabe a que impulso, lhe gravou na campa a legenda justiceira e tremebunda: Viveu pobre e miseravelmente e assim morreu..

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«Sentença dum vate provinciano.»

«Os escritores quinhentistas, já porque dar claridade às formas do pensamento é o mais difícil da arte de escrever, já porque se tornara moda ou até preceito de escola transportar para segundo plano o objecto da expressão de modo a envolvê-lo em meias-tintas e velaturas, então muito apreciadas, são sibilinos e árduos de compreender. Assim este godo de Cabeceiras.»
 

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«Sancho que não Quixote.»

«A meu ver, no conceito do versejador, Camões tinha que trazer o cinto bem atarraxado senão escorregavam-lhe os calçotes pela barriga abaixo. Era portanto dos que, à margem da boa sociedade -- essa que cumpria com os mandamentos da Igreja e consociava em bródios e aniversários --, tocava berimbau, isto é, fazia-lhe seus acrósticos, seus vilancetes, suas odes e ditirambos. A troco de quê? Além doutras espécies de salário, de vitualhas. Dêem-lhe as voltas que quiserem, à semelhança dos aedos que enchiam a escudela à porta, onde se celebravam bodas e dionisíacas, Camões recebia em casa a sua merenda aviada. Não a ia comer à mesa dos fidalgos; comia-a na mesa de pinho do Mal-Cozinhado de suciata com outros do seu pendão, ou na casinha da Mouraria, no recato silencioso da pobreza e conformidade.»
 

«Os bardos bem comidos. Ó ceias do paraíso!»

«Entretanto, na sua quinta à beira do Lima, o homem terso de antes quebrar que torcer, tombador de lobos, limpava a barbela bem untada, congratulando--se com a roda dos bons garfos, tão solertes à obra como admiradores do seu génio:
     Ó ceias do paraíso,
     Que nunca o tempo vos vença!
     Sem fala trocada ou riso, 
     Nem carregadas do siso, 
     Nem danadas da licença.»
... ... ... ...
 

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ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 58) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XII de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

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«Proventos de Luís de Camões. A poesia era um pequeno mester remunerado.»

«O Cancioneiro Geral regista nada menos de duzentos e oitenta e seis nomes de poetas no período compreendido entre a metade do século XV e os primórdios do século XVI. A primeira impressão é que proliferavam como os gafanhotos e que deviam cantar apenas uma sazão como as cigarras nos trigais do Alentejo. Mas seriam todos vates? Possivelmente não. Todos eles se apresentavam, sim, à hora própria nos serões, nos jogos florais ou nada mais que a depor no regaço das noivas ou namoradas, com o camafeu romano, a peçazinha rimada encomendada ad hoc ao bom versejador. Versejar era mester afim do iluminista ou do calígrafo...»

«Estava-se longe do conceito estético -- arte pela arte. Não se faziam versos pelo prazer espiritual de obter rimas de cadência melódica ou pensamentos ternos suspensos de rendas verbais. Versejava-se sempre com um fim: cortejar uma dama, lisonjear personagem influente, comemorar acontecimento de importância familiar ou patriótica, celebrar o beato taumaturgo. Foi preciso que viesse o romantismo para que os poetas obedecessem à inspiração ou voz interior que os manda cantar como aos rouxinóis. A poesia heróica, tão florente que não há batalha que não tenha o seu épico, documenta aquele conceito de boa utilidade.

Os vates quando teciam os seus vilancetes sobre um mote obedeciam pois a um propósito. As trovas de Camões feitas para acompanhar a oferta duma carta de alfinetes o estão a confirmar. Presidia sempre uma objectividade específica à lavra poética. E todas estas glosas, tantas dessas voltas em heptassílabo podem considerar-se como que produtos cognatos das quadras que vêm picadas nos vasos com manjericos que se vendem pelo Santo António e São João.»
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«A vida dolorosa do poeta.»

«Supondo que os amigos do poeta eram bastos como tortulhos e poderosos como cônsules, não impediu que duas vezes, pelo menos, catrambiasse no Tronco, e uma vez com certeza fosse parar ao degredo, marcos miliários da interminável via da amargura que foi a sua existência, tanto ou tão pouco espinhosa que a mão de D. Gonçalo Coutinho, movida não se sabe a que impulso, lhe gravou na campa a legenda justiceira e tremebunda: Viveu pobre e miseravelmente e assim morreu..

                                                             (continua)


ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 57) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XI de XVIII} * [ vol. I ]

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(continuação)

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«Poesia contra vitualhas. Como se explicam tantos artigos de refeitório?»

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ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 56) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XI de XVIII} * [ vol. I ]

 XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

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«Modo de vida de Luís de Camões. Pobreza paterna»
«Sobressai claro como água, pela análise das notícias reconhecidamente originais e a síntese das mil e uma ilações tiradas pelos inúmeros exegetas, que os pais do poeta eram gente obscura e menos que abastada...»
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«Gente pobre, tampouco se apurou bem de que viviam, nem jamais se poderá apurar. Até a revolução económica de Mouzinho da Silveira, ignorava-se em Portugal de que meios de subsistência se proviam três quartas partes da população. No comum eram bocas, graças a ofícios indefinidos ou eventuais, vegetando ao sabor da fortuna ou da bênção de Deus.
Os pais de Camões eram desta índole, e o filho que vivia com eles, à Mouraria, segundo o testemunho de Manuel Correia, não exercia nenhum mester, nem jamais se lhe conheceu outra aptidão que não fosse a de versejar e prendas afins. Como ganha-pão era pouco e tudo o que há de precário.»

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«Luís de Camões não tinha ocupação qualificada, à parte a de poeta, a qual é de crer, apesar de tudo, que alguns proventos lhe proporcionasse.»

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«A oficina de joalheiro do verso. Moeda de troco.»
«... Fosse como fosse, não deviam ser chorudos os réditos de Luís de Camões, permitindo-lhe um passadio mais que precário, o tal viver pobre e miseravelmente. Alguns chegavam-lhe em artigos de capoeira e até em camisas.»

(continua)

Descontinuação do SAPO Blogs. Encerramento do SAPO Blogs: a partir do dia 1 de julho, deixa de ser possível publicar ou editar blogs.

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