Mostrar mensagens com a etiqueta canto X. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta canto X. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de maio de 2026

«CAMÕES E A SUA MÁ ESTRELA». "A EDIÇÃO 'PRINCEPS' DOS LUSÍADAS" -- Segundo Problema (continuação). 1949. [ 21 ]

 

«CAMÕES, CAMILO, EÇA E ALGUNS MAIS». Ensaios de Crítica Histórico-Literária. Primavera de 1949.


capa 1.jpg

SEGUNDO PROBLEMA

«As duas edições do pelicano estão inçadas de erros. Como se explica?»...
(Continuação)

«A seguinte tábua acusando alguns dos erros duma edição, emendados noutra, derrama luz mais que suficiente sobre o controvertido problema:

102-103.jpg

104.jpg

105.jpg

«Acontece ainda que das duas edições, a mais rara é aquela cuja portada ostenta o pelicano a olhar para a direita. A Biblioteca Nacional de Lisboa possui desta apenas um exemplar e 4 da outra; o British Museum possui daquela também um só exemplar completo e outro mutilado. Possuem ainda a espécie que reputamos segunda: a Bodleiana, o Ateneu Comercial do Porto, a Sociedade Martins Sarmento, a Biblioteca Nacional de Paris, a Biblioteca da Academia das Ciências e a Biblioteca Nacional de Nápoles; um exemplar incompleto o Conde de Avilez

106.jpg

1584.jpg

Imagem extraída do:
 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva,1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

107.jpg

108.jpg

«A pedra-ara de Portugal deve ser pois aquela edição, de que restam raríssimos exemplares, cuja portada ostenta o pássaro mitológico a olhar para a direita do observador, tarjas a lembrarem as colunas dos velhos altares arruinados, e que a megalomania nacional pretendeu enjeitar por espúria, pervertida, contrafeita e até criminosa em sua desdita textual e gráfica.»

 A EDIÇÃO PRINCEPS (ORIGINAL) 

PELICANO direita 2.jpg

Imagem extraída do:
 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva,1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

* * * * * * * * * *

quinta-feira, 7 de maio de 2026

«O CENSOR DOS LUSÍADAS». Estâncias d' Os Lusíadas "a esladroar". «CAMÕES, CAMILO, EÇA E ALGUNS MAIS». Ensaios de Crítica Histórico-Literária. 1949. [ 7 ]

Cadernos Históricos (Vária). Direcção de Rocha Martins e Lopes de Oliveira. Edições Excelsior. 1946.



«CAMÕES, CAMILO, EÇA E ALGUNS MAIS». Ensaios de Crítica Histórico-Literária. 1949.


30.jpg

31.jpg

33 supondo.jpg

«O frade, com o poeta no outro mundo, podia tripudiar à vontade sobre (o poema) a Beleza.» 

(p.26)  (o poema) in «CAMÕES E O FRADE NA ILHA DOS AMORES»;

(p.34)  (a Belezain «CAMÕES, CAMILO, EÇA E ALGUNS MAIS».


.os Lusíadas ed 1572.jpg

.os Lusíadas ed 1584 piscos .jpg

Fonte das 2 Imagens:
 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

 

34.jpg

35.jpg

«Nos Lusíadas,  há pois que esladroar as estâncias em questão, dum barroco teológico incompatível com a bela ordenança, puro estilo Renascimento, do restante poema. Até sob o ponto de vista dimensional dos cantos, essa monda se impõe. Com efeito, à parte o Canto III que conta 143 estâncias, todos os outros orçam pela centena.»

O Canto IX terminaria com os dois versos:

  88. 
Assi a fermosa e a forte companhia
O dia quási todo estão passando
Nũa alma, doce, incógnita alegria,
Os trabalhos tão longos compensando.
Porque dos feitos grandes, da ousadia
Forte e famosa, o mundo está guardando
O prémio lá no fim, bem merecido,
Com fama grande e nome alto e subido.


«Tudo o mais é redundância, enfadonha prolixidade, desenvolvimento bastante abstruso do mesmo conceito, uma mastigação tão ao avesso do ático e conciso Camões.»

O canto X, finalmente, sem as onze estâncias (109 a 119) que começam: 


109.
«Aqui a cidade foi que se chamava 
Meliapor, fermosa, grande e rica;
Os Ídolos antigos adorava,
Como inda agora faz a gente inica.
Longe do mar naquele tempo estava,
Quando a Fé, que no mundo se pubrica,
Tomé vinha prègando, e já passara
Províncias mil do mundo, que ensinara.

110.
«Chegado aqui, prègando e junto dando
A doentes saúde, a mortos vida,
Acaso traz um dia o mar, vagando,
Um lenho de grandeza desmedida.
Deseja o Rei, que andava edificando,
Fazer dele madeira; e não duvida
Poder tirá-lo a terra, com possantes
Forças d' homens, de engenhos, de alifantes.

111.
«Era tão grande o peso do madeiro
Que, só pera abalar-se, nada abasta;
Mas o núncio de Cristo verdadeiro
Menos trabalho em tal negócio gasta:
Ata o cordão que traz, por derradeiro,
No tronco, e facilmente o leva e arrasta
Pera onde faça um sumptuoso templo
Que ficasse aos futuros por exemplo.

112.
«Sabia bem que se com fé formada
Mandar a um monte surdo que se mova,
Que obedecerá logo à voz sagrada,
Que assi lho ensinou Cristo, e ele o prova.
A gente ficou disto alvoraçada;
Os Brâmenes o têm por cousa nova;
Vendo os milagres, vendo a santidade,
Hão medo de perder autoridade.

113.
«São estes sacerdotes dos Gentios
Em quem mais penetrado tinha enveja;
Buscam maneiras mil, buscam desvios,
Com que Tomé não se ouça, ou morto seja.
O principal, que ao peito traz os fios,
Um caso horrendo faz, que o mundo veja
Que inimiga não há, tão dura e fera,
Como a virtude falsa, da sincera.

114.
«Um filho próprio mata, e logo acusa
De homicídio Tomé, que era inocente;
Dá falsas testemunhas, como se usa;
Condenaram-no a morte brevemente.
O Santo, que não vê milhor escusa
Que apelar pera o Padre omnipotente,
Quer, diante do Rei e dos senhores,
Que se faça um milagre dos maiores.

115.
«O corpo morto manda ser trazido,
Que res[s]ucite e seja perguntado
Quem foi seu matador, e será crido
Por testemunho, o seu, mais aprovado.
Viram todos o moço vivo, erguido,
Em nome de Jesus crucificado:
Dá graças a Tomé, que lhe deu vida,
E descobre seu pai ser homicida.

116.
«Este milagre fez tamanho espanto
Que o Rei se banha logo na água santa,
E muitos após ele; um beija o manto,
Outro louvor do Deus de Tomé canta.
Os Brâmenes se encheram de ódio tanto,
Com seu veneno os morde enveja tanta,
Que, persuadindo a isso o povo rudo,
Determinam matá-lo, em fim de tudo.

117.
«Um dia que prègando ao povo estava,
Fingiram entre a gente um arruido.
(Já Cristo neste tempo lhe ordenava
Que, padecendo, fosse ao Céu subido);
A multidão das pedras que voava
No Santo dá, já a tudo oferecido;
Um dos maus, por fartar-se mais depressa,
Com crua lança o peito lhe atravessa.

118.
«Choraram-te, Tomé, o Gange e o Indo;
Chorou-te toda a terra que pisaste;
Mais te choram as almas que vestindo
Se iam da santa Fé que lhe ensinaste.
Mas os Anjos do Céu, cantando e rindo,
Te recebem na glória que ganhaste.
Pedimos-te que a Deus ajuda peças
Com que os teus Lusitanos favoreças.

e acabam:

119.
«E vós outros que os nomes usurpais
De mandados de Deus, como Tomé,
Dizei: se sois mandados, como estais
Sem irdes a prègar a santa Fé?
Olhai que, se sois Sal e vos danais
Na pátria, onde profeta ninguém é,
Com que se salgarão em nossos dias
(Infiéis deixo) tantas heresias?


... embutidas a nosso ver pela mão do frade, e com o que o fio da narração poética nada sofre, ficaria reduzido a   145   = ( 156 11 ), por consequência ganhando também neste plano de perspectivas.»

*

*           *

Consultar:

« OS LUSÍADAS ». Poema Épico: Dez CANTOS {(1.102 estâncias) ; (8.816 versos)}


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Disponível até à data limite: 30-06-2026!
Descontinuação do SAPO Blogs. Encerramento do SAPO Blogs: a partir do dia 1 de julho, deixa de ser possível publicar ou editar blogs.

https://alcancaquemnaocansa.blogs.sapo.pt/os-lusiadas-poema-epico-dez-cantos-156305?tc=186099557332

Captura de ecrã excel ESTANCIAS.png

 Carlos Ascenso André  03.01.2025

Não sou muito entusiasta da ciência dos números aplicada à apreciação de obras literária (uma espécie de aritmosofia na literatura). Mas que há coincidências espantosas, lá isso há. Salta à vista, por exemplo, a quase equivalência dos cantos V e VI. Ora, o canto V é onde está um episódio determinante em toda a narrativa, o episódio do Adamastor, momento da vitória sobre os medos, mas também profecia da história trágico-marítima que viria depois; e o canto VI é o da chegada à Índia. Os dois juntos fazem o centro geométrico do poema. Jorge de Sena foi exaustivo neste tipo de análise e Vasco Graça Moura também (em alguns momentos) usou essa lupa. Saúdo a publicação que se faz aqui pela curiosidade de que se reveste e que abre pistas muito interessantes. Carlos Ascenso André


   ------------------------------

aritmosofia”, in Dicionário da Língua Portuguesa. Academia das Ciências de Lisboa.
Disponível em https://dicionario.acad-ciencias.pt/pesquisa/aritmosofia 


«CAMÕES E O FRADE NA ILHA DOS AMORES» por Aquilino Ribeiro. "Cadernos Históricos". 1946. Frei Bartolomeu Ferreira, revedor d' "OS LUSÍADAS" [ 6 ]

Cadernos Históricos (Vária). Direcção de Rocha Martins e Lopes de Oliveira. Edições Excelsior.1946.


camões e o frade na ilha.jpg

21.2  copia.jpg

22.jpg

23.jpg

«Aqui, só verdadeiros, gloriosos
Divos estão, porque eu, Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos,
Fingidos de mortal e cego engano.
Só pera fazer versos deleitosos
Servimos; e, se mais o trato humano
Nos pode dar, é só que o nome nosso
Nestas estrelas pôs o engenho vosso.

Os Lusíadas, X. 82.

. . . . . . . . . . . . 

«O poeta, dada a quebra de ritmo, de lógica, de côr, que há a partir da estância 82 do Canto X, escreveu daquele modo porque o frade lhe pegou na mão, se é que a versalhada não é da lavra dele e arredondada tant bien que mal  por Luís de Camões.»


24.1.jpg

 

«CAMÕES E O FRADE NA ILHA DOS AMORES» por Aquilino Ribeiro. "Cadernos Históricos". 1946. Frei Bartolomeu Ferreira, revedor d' "OS LUSÍADAS" [ 5 ]

Cadernos Históricos (Vária). Direcção de Rocha Martins e Lopes de Oliveira. Edições Excelsior

1-Camoes na ilha dos amores-CAPA.jpg

16.2 bartolomeu Ferreira.jpg

17.jpg

«As estâncias consagradas à Ilha dos Amores parecem representar uma contemporização de Censura para com a arte, lavradas como são em puro ouro e mais cristalinas que o cristal, mas em verdade -- escreve Caetano L. de Moura -- na pintura destas delícias o poeta não ofende nenhum sentimento nobre, nem a mera delicadeza.»

18.jpg

19.jpg

20.jpg

«Aqui, só verdadeiros, gloriosos
Divos estão, porque eu, Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos,
Fingidos de mortal e cego engano.
Só pera fazer versos deleitosos
Servimos; e, se mais o trato humano
Nos pode dar, é só que o nome nosso
Nestas estrelas pôs o engenho vosso.

Os LusíadasX.82

«E também, porque a santa Providência,
Que em Júpiter aqui se representa,
Por espíritos mil que têm prudência
Governa o Mundo todo que sustenta
(Ensina-lo a profética ciência,
Em muitos dos exemplos que apresenta);
Os que são bons, guiando, favorecem,
Os maus, em quanto podem, nos empecem;

Os LusíadasX.83

«Quer logo aqui a pintura que varia
Agora deleitando, ora ensinando,
Dar-lhe nomes que a antiga Poesia
A seus Deuses já dera, tabulando;
Que os Anjos de celeste companhia
Deuses o sacro verso está chamando,
Nem nega que esse nome preminente
Também aos maus se dá, mas falsamente.

Os LusíadasX.84

«De facto as oitavas 82, 83 e 84 do Canto X, que martelam com um tom seco de monitória dogmática o quanto há de fabuloso nos deuses do paganismo, equivalem para todo esse jucundo corpo do Olimpo, que vem confraternizar com os navegantes, à queima dos judas de palha e alcatrão na terça-feira gorda. Não faz sentido que o autor da mágica venha ao proscénio prevenir o respeitável público: tudo isto é endrómina, quando o seu primeiro escopo visa a obter a ilusão da realidade. Assim a grande arte, mormente a da epopeia, talhada ao molde de Homero, que estructura a natureza heróica das suas personagens com actos da vida quotidiana e um irrepreensível e geométrico aprumo.»

21.1.jpg

 

    (continua)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

« OS LUSÍADAS », CANTO X {(156 estâncias) ; ( 1.248 versos)} . Estâncias d' Os Lusíadas "a expungir" conforme Cadernos Históricos: «Camões e o Frade na Ilha dos Amores» por Aquilino Ribeiro (1946).

 

Cadernos Históricos (Vária). Direcção de Rocha Martins e Lopes de Oliveira. Edições Excelsior. 1946.

LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]; «OS LUSÍADAS» (1572... )


Play - Os Lusíadas

Canto X - Carolina Amaral
09  jan. 2025

Série inserida nas comemorações dos 500 anos de Luís de Camões que consiste na interpretação dos 10 cantos por 10 actrizes em 10 locais distintos. Numa era pós-colonialista, ouviremos as palavras, durante tantos séculos cristalizadas num só sentido, ditas em relação com a nossa actualidade. A finalidade é confrontar o texto com 500 anos com o tempo presente e perceber que reverberação estas mesmas palavras terão nos dias de hoje, num Portugal 2024. Consoante o conteúdo de cada Canto, uma actriz interpreta-o num local que retrate a nossa sociedade moderna e, de alguma forma, o nosso País.

1h  Artes e Cultura Todos
Narração
Banquete das Ninfas
Profecias Máquina do Mundo
Regresso a Lisboa





 Os Lusíadas 

  X  

  1 . 
MAS já o claro amador da Larisseia
Adúltera inclinava os animais
Lá pera o grande lago que rodeia
Temistitão, nos fins Ocidentais;
O grande ardor do Sol, Favónio enfreia
Co'o sopro que nos tanques naturais
Encrespa a água serena e despertava
Os lírios e jasmins, que a calma agrava,

... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ...


RTP canto X estancia ultima.jpg

 Os Lusíadas, X.156. 


BIBLIOGRAFIA

1-Camoes na ilha dos amores-CAPA.jpg

11.2 canto X inicio.jpg

12.jpg

Quando as fermosas Ninfas, co'os amantes 
Pela mão, já conformes e contentes,
Subiam pera os paços radiantes
E de metais ornados reluzentes,
Mandados da Rainha, que abundantes
Mesas d' altos manjares excelentes
Lhe tinha aparelhados, que a fraqueza
Restaurem da cansada natureza.
Os Lusíadas, X.2.(2,8).

... ... ...

Mil práticas alegres se tocavam;
Risos doces, sutis e argutos ditos,
Que entre um e outro manjar se alevantavam,
Despertando os alegres apetitos;
Músicos instrumentos não faltavam
(Quais, no profundo Reino, os nus espritos
Fizeram descansar da eterna pena)
Cũa voz dũa angélica Sirena.
Os Lusíadas, X.5.1-4.


13.jpg


«Aqui, só verdadeiros, gloriosos

Divos estão, porque eu, Saturno e Jano,

Júpiter, Juno, fomos fabulosos,
Fingidos de mortal e cego engano.
Só pera fazer versos deleitosos
Servimos; e, se mais o trato humano
Nos pode dar, é só que o nome nosso
Nestas estrelas pôs o engenho vosso.

Os Lusíadas,
X.82.1-8.

... ... ... ...

14.jpg

15.jpg

«Choraram-te, Tomé, o Gange e o Indo; 
Chorou-te toda a terra que pisaste;
Mais te choram as almas que vestindo
Se iam da santa Fé que lhe ensinaste.
Mas os Anjos do Céu, cantando e rindo,
Te recebem na glória que ganhaste.
Pedimos-te que a Deus ajuda peças
Com que os teus Lusitanos favoreças.
Os Lusíadas, X.118.1-2.

16.1.jpg
«E vós outros que os nomes usurpais 
De mandados de Deus, como Tomé,
Dizei: se sois mandados, como estais
Sem irdes a prègar a santa Fé?
Olhai que, se sois Sal e vos danais
Na pátria, onde profeta ninguém é,
Com que se salgarão em nossos dias
(Infiéis deixo) tantas heresias?
Os Lusíadas,
X.119.
1-4.



camões e o frade na ilha.jpg

.os Lusíadas ed 1572.jpg

.os Lusíadas ed 1584 piscos .jpg

Fonte das 2 Imagens:
 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva,1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.
 

24.2 edicao 1572.jpg

25.jpg

26.jpg

27.jpg

«Aos Lusíadas há pois que expungir as estâncias em questão, dum barroco teológico incompatível com a bela ordenança, puro estilo Renascimento, do restante poema. Até sob o ponto de vista dimensional dos cantos, essa ablação se impõe. Com efeito, à-parte o Canto III que conta 143 estâncias, todos os outros orçam pela centena.»

... ... ... ...

«O canto X, finalmente, sem as onze estâncias  [ 109 a 119 embutidas a nosso ver pela mão do frade e com o que o fio da narração poética nada sofre, ficaria reduzido a   145   = (156 - 11)por consequência ganhando também neste plano de perspectivas.»

... ... ... ...


  156 . 

Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
A vista vossa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos de Ampelusa
Os muros de Marrocos e Trudante,
A minha já estimada e leda Musa
Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.

 *  *  *  *  *  *  *  *  *  *

Consultar:

« OS LUSÍADAS ». Poema Épico: Dez CANTOS {(1.102 estâncias) ; (8.816 versos)}


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Disponível até à data limite: 30-06-2026!
Descontinuação do SAPO Blogs. Encerramento do SAPO Blogs: a partir do dia 1 de julho, deixa de ser possível publicar ou editar blogs.


Captura de ecrã excel ESTANCIAS.png

Carlos Ascenso André  03.01.2025

Não sou muito entusiasta da ciência dos números aplicada à apreciação de obras literária (uma espécie de aritmosofia na literatura). Mas que há coincidências espantosas, lá isso há. Salta à vista, por exemplo, a quase equivalência dos cantos V e VI. Ora, o canto V é onde está um episódio determinante em toda a narrativa, o episódio do Adamastor, momento da vitória sobre os medos, mas também profecia da história trágico-marítima que viria depois; e o canto VI é o da chegada à Índia. Os dois juntos fazem o centro geométrico do poema. Jorge de Sena foi exaustivo neste tipo de análise e Vasco Graça Moura também (em alguns momentos) usou essa lupa. Saúdo a publicação que se faz aqui pela curiosidade de que se reveste e que abre pistas muito interessantes. Carlos Ascenso André

-------------------

aritmosofia”, in Dicionário da Língua Portuguesa. Academia das Ciências de Lisboa.
Disponível em:
 https://dicionario.acad-ciencias.pt/pesquisa/aritmosofia 

 

Descontinuação do SAPO Blogs. Encerramento do SAPO Blogs: a partir do dia 1 de julho, deixa de ser possível publicar ou editar blogs.

  SAPO BLOGS https://alcancaquemnaocansa.blogs.sapo.pt/ Arquivo 2026 J F M A M J J A S O N D 2025 J F M A M J J A S O N...