LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]
Os Lusíadas

Artes e Cultura
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Narração
Chegada a Calecut
Interrupção do poeta
Aportam em Calecut
Relações com os locais
Descrição da Índia ao pormenor
Falta de inspiração do poeta
...

CANTO VII
1.
JÁ se viam chegados junto à terra
Que desejada já de tantos fora,
Que entre as correntes Índicas se encerra
E o Ganges, que no Céu terreno mora.
Ora sus, gente forte, que na guerra
Quereis levar a palma vencedora:
Já sois chegados, já tendes diante
A terra de riquezas abundante!
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«POESIA E PINTURA NA POESIA DE CAMÕES. A relação entre a poesia e a pintura, a eventual dependência de uma em relação à outra ou, se se preferir, a supremacia de uma sobre a outra, as respectivas semelhanças e diferenças, a maior ou menor expressividade de cada uma delas, eis alguns dos termos de um debate que vem de longe e que não parece ter fim à vista.
O poeta grego Simónides (séculos VI-V a. C.) terá sido o primeiro a definir a pintura como «poesia muda» e a poesia como «pintura que fala», expressão que Luís de Camões veio a acolher: «Feitos dos homens que, em retrato breve, / A muda poesia ali descreve» (Os Lusíadas, VII.76.7-8); «E, como a seu contrairo natural, / À pintura que fala querem mal» (Os Lusíadas, VIII.41.7-8).
Sobre o assunto dissertou, também Aristóteles, na sua Poética; mas foi Horácio, já no século I a. C. (quatro séculos depois de Aristóteles), na sua Arte Poética, quem ditou as bases, se assim pode dizer-se, de uma polémica que haveria, ao longo dos séculos, de encher páginas de tratados sobre Poética ou sobre Pintura. É dele a afirmação que haveria de tornar-se, ao mesmo tempo, emblemática e ponto de referência de todas as controvérsias a este respeito: ut pictura poesis («como a pintura, assim é a poesia»).»
(p. 703)
por Carlos Ascenso André,
in «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.
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87.
Aqueles sós direi que aventuraram
Por seu Deus, por seu Rei, a amada vida,
Onde, perdendo-a, em fama a dilataram,
Tão bem de suas obras merecida.
Apolo e as Musas, que me acompanharam,
Me dobrarão a fúria concedida,
Enquanto eu tomo alento, descansado,
Por tornar ao trabalho, mais folgado.
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