quarta-feira, 29 de abril de 2026

« OS LUSÍADAS », CANTO VII {( 87 estâncias) ; ( 696 versos)}

 

LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]


 Os Lusíadas 


Canto VII - Sandra Hung
 19 dez. 2024

Play - Os Lusíadas

33m

Artes e Cultura

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 Canto VII - Sandra Hung

Narração
Chegada a Calecut
Interrupção do poeta
Aportam em Calecut
Relações com os locais
Descrição da Índia ao pormenor
Falta de inspiração do poeta

...

episodio 7 -19-12.jpg

  


 CANTO  VII 


 1. 

JÁ se viam chegados junto à terra

Que desejada já de tantos fora,

Que entre as correntes Índicas se encerra

E o Ganges, que no Céu terreno mora.

Ora sus, gente forte, que na guerra

Quereis levar a palma vencedora:

Já sois chegados, já tendes diante

A terra de riquezas abundante!

 

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«POESIA E PINTURA NA POESIA DE CAMÕES. A relação entre a poesia e a pintura, a eventual dependência de uma em relação à outra ou, se se preferir, a supremacia de uma sobre a outra, as respectivas semelhanças e diferenças, a maior ou menor expressividade de cada uma delas, eis alguns dos termos de um debate que vem de longe e que não parece ter fim à vista.

O poeta grego Simónides (séculos VI-V a. C.) terá sido o primeiro a definir a pintura como «poesia muda» e a poesia como «pintura que fala»expressão que Luís de Camões veio a acolher: «Feitos dos homens que, em retrato breve, / muda poesia ali descreve» (Os Lusíadas, VII.76.7-8); «E, como a seu contrairo natural, / À pintura que fala querem mal» (Os LusíadasVIII.41.7-8).

Sobre o assunto dissertou, também Aristóteles, na sua Poéticamas foi Horácio, já no século I a. C. (quatro séculos depois de Aristóteles), na sua Arte Poética, quem ditou as bases, se assim pode dizer-se, de uma polémica que haveria, ao longo dos séculos, de encher páginas de tratados sobre Poética ou sobre Pintura. É dele a afirmação que haveria de tornar-se, ao mesmo tempo, emblemática e ponto de referência de todas as controvérsias a este respeito: ut pictura poesis («como a pintura, assim é a poesia»).»

                                                                                       (p. 703)

por Carlos Ascenso André

in «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

 


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 87. 

Aqueles sós direi que aventuraram

Por seu Deus, por seu Rei, a amada vida,

Onde, perdendo-a, em fama a dilataram,

Tão bem de suas obras merecida.

Apolo e as Musas, que me acompanharam,

Me dobrarão a fúria concedida,

Enquanto eu tomo alento, descansado,

Por tornar ao trabalho, mais folgado.


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