segunda-feira, 18 de maio de 2026

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 55) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. X de XVIII} * [ vol. I ]

 XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

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(continuação)

«Depõe Afrânio Peixoto...»

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«Ela (Infanta D. Maria) conservou-se sempre a uma imensurável distância do poeta, em qualquer das suas fases, quer a do cliente do Mal-Cozinhado, quer a do tarimbeiro estropiado da Índia, morador a Santa Ana. Ela era toda céu, ele todo baldões; ela fausto, ele a mofina negra.»

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«O testamento da milionária.»

«Quanto ao romance Infanta-Luís de Camões, vejamos: Os Lusíadas vieram a lume em 1572; a Infanta fez o testamento em 1577; fechou o codicilo meses depois. Os longos anos que vão do seu regresso a Lisboa até 1579 padeceu o poeta grandes necessidades e sofrimentos, a ponto de se ver obrigado a estender a mão à caridade pública, segundo as biografias mais próximas da data da sua morte. Com as tenças que deixou a Infanta, levaram muitas famílias vida farta. Dos esbulhos pingaram autênticos manás. Locupletaram-se os testamenteiros e com eles os magistrados que poderiam superintender nas disposições codicilares. Durante cinquenta anos, activos enxames de vermes, menos rápidos, mais ávidos porém que os da terra, devoraram a imensa fortuna em desagregação. Tudo o que pôde ferrar o dente ou enterrar a unha não se deteve com preconceitos  de legitimidade. Foi um regabofe.»


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«Luís de Camões, primeiro poeta e primeiro desgraçado do Reino...?! Ignorava!»

Compreende-se, dentro de qualquer lógica, que a Infanta, a mais rica herdeira da cristandade, segundo o testemunho do cardeal Alexandrino, que deixou legados a torto e a direito, a quantos frades e freiras roçaram o merino da sua robe, às próprias escravas negras, se não tivesse lembrado do seu poeta, chegado ao último escalão da desgraça?! Sim, ao último escalão, porque seria uma indignidade da inteligência ter medo de interpretar diferentemente o epitáfio que D. Gonçalo Coutinho lhe lavrou na lousa da sepultura:

«Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo: viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu o ano de 1579.»

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ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 55) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. X de XVIII} * [ vol. I ]

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