domingo, 22 de fevereiro de 2026

"JARDIM DAS TORMENTAS". 1913. Contos.


«À MEMÓRIA DA GRETE, ELÍSIA SOMBRA, TUTELAR ORA E SEMPRE NO MEU TRABALHO»

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Nota Preliminar
 
«Há quase cinquenta anos que não entrava neste jardim de arbustos espinhosos. Encontrei muitos ramos secos e muitas folhas mortas pelo chão.

Como fui eu o jardineiro, novel jardineiro, não se me pode levar a mal que pegue do podão e do sacho, corte, monde, rape o musgo, areie mesmo as ruas. Tudo muito ao de leve -- sem um pé de roseira a mais, nem um pé de roseira a menos, arrancar, sequer, uma silva -- de modo a manter intacta a feição primitiva.

Voltassem -- além da figurinha gentil a cuja invocação foi consagrado o Jardim e vive no meu peito -- Gualdino Gomes, esse príncipe do espírito que perdura na memória dos meus contemporâneos, embora sem um livro, sem o nome na esquina duma rua, e Malheiro Dias, pena vibrátil e malograda, meu liberal apresentante no mundo das Letras, e é ponto de fé para mim que nada teriam a estranhar.

Dessa presumida constância me prevaleço hoje para tornar a oferecer aos meus leitores fiéis esta plantação de cardos meio exóticos, um ou outro coroado ao alto duma flor rubra, que lhe dá o ar de lança que acaba de varar a ilharga dum justiçado, e plantação ainda de escarapeteiros que picam as mãos.»

                                                        A. R.
                                  
Lisboa, 1960.
 

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