quarta-feira, 15 de abril de 2026

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 39) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. VI de XVIII} * [ vol. I ]

 

LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO»

capa livro  vol 1.jpg

1ª parte do berço GRANDE.jpg

CAP VI pp. 87.jpg

 
 «Assim, decerto, era mais bonito, mais trovadoresco pelo menos. A mula que é costume alugar na nossa terra, com um arrieiro à frente de pau argolado, e lenço em triângulo para as costas contra o ferrão das moscas, atraídas pela saburra suarenta da pescoceira, bate que bate, mete mais romanesco, mas peca por prosaica. E as sensações daquela hora cristalizaram na canção, de que derivam o argumento máximo quanto à estada de Camões em Coimbra e aos amores que ali tomou:
    Vão as serenas águas 
    Do Mondego descendo,
    Tão mansamente que até ao mar não param,
    Por onde minhas mágoas,
    Pouco a pouco crescendo, 
    Para nunca acabar se começaram.
    Ali se me ajuntaram 
    Neste lugar ameno --
    -- Aonde agora mouro --
    Testa de neve e ouro, 
    Riso brando e suave, olhar sereno,
    Um gesto delicado 
    Que sempre na alma me estará pintado.
 
           Nesta florida terra,
    Leda, fresca e serena,
    Ledo e contente para mi vivia:
    Em paz com minha guerra, 
    Contente com a pena
    Que de tão belos olhos procedia,
    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 
    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 
    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 
 
    Como à que me condena:
    Que mais sentirei vosso sentimento
    Que o que a minha alma sente.
    Moura eu, senhora, e vós ficai contente!
 
    Canção, tu estarás 
    Aqui acompanhando
    Estes campos e estas claras águas;
    E por mim ficarás 
    Chorando e suspirando,
    E ao mundo mostrando tantas mágoas,
    Que de tão larga história 
    Minhas lágrimas fiquem por memória.» ...
 
(continua)

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