terça-feira, 5 de maio de 2026

« OS LUSÍADAS », CANTO VIII {( 99 estâncias) ; ( 792 versos)} . «À pintura que fala querem mal.» [ 'Os Lusíadas', VIII.41.8 ]

 

LUÍS DE CAMÕES [ 1524 (?) -- 1580 ]






«POESIA E PINTURA NA POESIA DE CAMÕES. A relação entre a poesia e a pintura, a eventual dependência de uma em relação à outra ou, se se preferir, a supremacia de uma sobre a outra, as respectivas semelhanças e diferenças, a maior ou menor expressividade de cada uma delas, eis alguns dos termos de um debate que vem de longe e que não parece ter fim à vista.


O poeta grego Simónides (séculos VI-V a. C.) terá sido o primeiro a definir a pintura como «poesia muda» e a poesia como «pintura que fala»expressão que Luís de Camões veio a acolher: «Feitos dos homens que, em retrato breve, / muda poesia ali descreve» (Os Lusíadas, VII.76.7-8); «E, como a seu contrairo natural, / À pintura que fala querem mal» (Os LusíadasVIII.41.7-8).


Sobre o assunto dissertou, também Aristóteles, na sua Poéticamas foi Horácio, já no século I a. C. (quatro séculos depois de Aristóteles), na sua Arte Poética, quem ditou as bases, se assim pode dizer-se, de uma polémica que haveria, ao longo dos séculos, de encher páginas de tratados sobre Poética ou sobre Pintura. É dele a afirmação que haveria de tornar-se, ao mesmo tempo, emblemática e ponto de referência de todas as controvérsias a este respeito: ut pictura poesis («como a pintura, assim é a poesia»).»

                                                                                       (p. 703)

por Carlos Ascenso André

in «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

 

 

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https://www.rtp.pt/play/palco/p14060/e818510/os-lusiadas


 Os Lusíadas 

 


Canto VIII - Cirila Bossuet 

26 dez. 2024

Play - Os Lusíadas

41m

Artes e Cultura

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Canto VIII - Cirila Bossuet

Narração

Relações comerciais com Catual
Painel da história de Portugal
Sonhos de Baco
Conflitos

...




 CANTO VIII 

 1. 

NA primeira figura se detinha

O Catual que vira estar pintada,

Que por divisa um ramo na mão tinha,

A barba branca, longa e penteada.

Quem era e por que causa lhe convinha

A divisa que tem na mão tomada?

Paulo responde, cuja voz discreta

O Mauritano sábio lhe interpreta:

 

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viii.39 rtp.jpg

OS LUSÍADAS  ( VIII.39 )

 

 

 41.  
«Outros também há grandes e abastados,
Sem nenhum tronco ilustre donde venham:
Culpa de Reis, que às vezes a privados
Dão mais que a mil que esforço e saber tenham.
Estes os seus não querem ver pintados,
Crendo que cores vãs lhe não convenham,
E, como a seu contrairo natural,
À  pintura que fala  querem mal.
 

 42. 
«Não nego que há, contudo, descendentes
Do generoso tronco e casa rica,
Que, com costumes altos e excelentes,
Sustentam a nobreza que lhe fica;
E se a luz dos antigos seus parentes
Neles mais o valor não clarifica,
Não falta, ao menos, nem se faz escura;
Mas destes acha poucos a pintura.»


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 99. 

Este interpreta mais que sutilmente

Os textos; este faz e desfaz leis;

Este causa os perjúrios entre a gente

E mil vezes tiranos torna os Reis.

Até os que só a Deus omnipotente

Se dedicam, mil vezes ouvireis

Que corrompe este encantador, e ilude;

Mas não sem cor, contudo, de virtude!


  

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